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Teste do Lactato

Teste de lactato. Porque fazer?

Há cerca de dez anos atrás, o treinador dispunha de duas ferramentas básicas para prescrever e acompanhar o treinamento de seus atletas: o cronômetro e, principalmente, conhecimento. Quando havia a necessidade de se obter uma avaliação física mais precisa, o atleta tinha que se deslocar para um laboratório, colocar uma série de eletrodos espalhados pelo seu tórax, respirar em um analisador de gases, etc. Além de carregar todo este aparato, o atleta ainda era obrigado a correr em uma esteira rolante ou pedalar em um cicloergômetro. Criava-se assim, uma situação irreal de esforço, bem diferente do ato de correr no asfalto ou pedalar em uma estrada, por exemplo. E ainda havia o alto custo e a dificuldade em se encontrar um laboratório que dispusesse deste tipo de equipamento.
Atualmente, a evolução tecnológica revolucionou o mercado da avaliação física. Agora, além de conhecimento e do cronômetro, o treinador dispõe de ferramentas muito práticas e avançadas para avaliar a condição física de seus atletas. Um dos produtos desta revolução tecnológica é o monitor de freqüência cardíaca (MFC), o qual fornece o número de batimentos cardíacos ocorridos em um minuto, quase com a mesma precisão de um eletrocardiógrafo tradicional1.


Vantagens e Desvantagens do MFC
É muito comum ouvir atletas comentando a respeito da velocidade média empregada após uma competição ou sessão de treinamento. No entanto, esta é uma medida que tem pouco significado pois varia em função do vento, da topografia, da presença ou ausência de vento, da temperatura e até da umidade relativa do ar4,8. A FC fornece uma medida de intensidade de esforço muito mais objetiva, sendo resultado direto da combinação de todos estes fatores3. Além disso, a FC depende da idade e da condição física atual de cada um5, possibilitando ao treinador individualizar o programa de treinamento de seus atletas.
Apesar da praticidade do MFC na determinação do nível de intensidade de uma atividade física, a FC tem suas limitações. Uma delas e a mais importante, é o fato de não fornecer informações acerca do tipo de fonte energética predominante durante o esforço. Sem esta informação, não é possível saber com exatidão por quanto tempo o indivíduo suportará o exercício em diversos níveis de intensidade, algo extremamente importante para todos que seguem um programa de treinamento, desde aqueles que buscam o emagrecimento até quem deseja testar os

seus limites no Ironman*. Em termos práticos, isto implica em dizer que, mesmo quando há o cuidado em se monitorar a FC durante o treinamento, o MFC não consegue detectar o que está acontecendo dentro da massa muscular que está sendo recrutada durante o exercício. Isto somente é possível através da utilização de técnicas invasivas laboratoriais,

como a biópsia muscular e a dosagem da concentração de lactato no músculo ou na corrente sangüínea. Já foi demonstrado que as adaptações metabólicas que ocorrem dentro da musculatura esquelética exercitada são muito mais importantes do que as adaptações geradas dentro do sistema cardiovascular11, principalmente em atletas bem treinados3.


Accusport®, o laboratório portátil
Com o advento do Accusport®, um aparelho portátil de tecnologia alemã (Boehringer Mannheim Co.), ficou muito mais prático e econômico realizar um teste que fornece referências metabólicas de eventos que ocorrem dentro da musculatura esquelética9.

O Accusport® foi desenvolvido para facilitar a determinação da concentração de lactato no sangue, uma substância resultante do metabolismo incompleto de carboidratos10 e que, portanto, permite quantificar a fonte energética  e o tipo de combustível predominante durante o exercício. Tudo isto sem os inconvenientes de um teste de laboratório. Mas a maior vantagem que o Accusport® oferece é o fato de poder ser utilizado em qualquer lugar, como em piscinas, pistas de atletismo, trilhas, etc.


Grau de Precisão do MFC Cresce com o uso do Accusport®                                          
Através de um teste padronizado de esforço13, é possível unir as informações provenientes do MFC e do Accusport®, estabelecendo uma relação entre a FC e a concentração de lactato no sangue. Esta relação, por sua vez, determinará o tipo de combustível predominante e a sua respectiva velocidade de utilização para cada intensidade de esforço. A partir daí, o treinador poderá desenvolver um programa de treinamento mais eficaz. Passa a ser possível determinar o grau de solicitação metabólica da musculatura exercitada para cada valor de FC. Ou seja, o Accusport® tem como função principal  “calibrar” o MFC12, determinando de fato o nível de estresse muscular para cada intensidade de esforço. Assim como os pneus de um carro, o MFC também requer uma calibragem periódica.  Desta maneira, atleta e treinador poderão utilizar o MFC com maior segurança, sabendo exatamente o tipo de trabalho que estará sendo feito em cada sessão de treinamento.

*O Ironman é uma competição de triatlo que consiste em nadar 3,8km, pedalar 180km e correr 42,2km, ininterruptamente.

Referências Bibliográficas:
1-KARVONEN, J. & VUORIMAA, T. 1Heart Rate and Exercise Intensity During Sports Actvities- Pratical Application. Sports Medicine, v. 5, p. 303-312, 1988.
2- McARDLE, W.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Essentials of Exercise Physiology, Lea & Febiger, Philadelphia, p.261-267, 1994.
3-COYLE, E. F. Integration of the physiological factors determining endurance performance ability. Exercise and Sports Sciences Reviews, v. 22, p. 25-63, 1995. 
4- KYLE, C. R. Ergogenics for Bicycling. In: Perspectives in Exercise Science and Sports Medicine, v. 4, Enhancement of Performance in Exercise and Sport, Eds: LAMB, D. R. & WILLIAMS, M. H., Brown & Benchmark, p.373-417, 1991.
5-JANSSEN, P. G. J. M. Training Lactate Pulse-Rate. Polar Electro Oy, Finland, p.19-31, 1987.
7-HECK, H.; et alii. Justification of the 4-MMol/L lactate threshold. International Journal of Sports Medicine, v. 6, p. 117-130, 1985.
8-COAST, R. J.; et alii. Metabolic Requirements of Riding Windload Simulators as Compared to Cycling on the Road. In: Medical and Scientific Aspects of Cycling, Eds: BURKE, E. R.& NEWSOM, M. M., Human Kinetics, Illinois, p. 109-116, 1988.  
9-JACOBS, I. Blood Lactate- Implications for Training and Sports Performance. Sports Medicine, v. 3, p.10-25, 1986.
10-MILLER, W. C. The Biochemistry of Exercise and Metabolic Adaptation. Brown & Benchmark, Dubuque, p. 19-20, 1992.

 

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