 |
FAQ Fisioterapia
| |
 |
Elaborado por Dr. Marcelo Takakura, formado em fisioterapia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP Presidente Prudente, pós-graduação em ortopedia e traumatologia pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – FMUSP, formação em Reeducação Postural Global – RPG (Philippe E. Souchard), terapeuta manual (osteopatia) pela Escola Docusse de Terapia Manual.
|
|
| |
|
| 1. Preciso fazer musculação para
correr? |
|
R - Não necessariamente. No entanto o treino de musculação irá lhe proporcionar músculos mais fortes, potentes e capazes de armazenar maior quantidade de energia. Isso irá contribuir significamente para o aumento de sua performance.
Realizar apenas os treinos de corrida desenvolve muito bem o sistema cardirespiratório, deixando um pouco para trás o sistema musculoesquético. Basicamente a musculatura acaba adquirindo apenas um tipo de força: resistência. Com a musculação o calibre das fibras musculares irá aumentar, proporcionando ao músculo potência e velocidade para realizar os gestos esportivos.
Tal preparação irá permitir melhores condições físicas para superar as variações de percurso tais como subidas, descidas, aumento no ritmo e tiros, além promover um sistema musculoesquelético consistente, diminuindo os riscos de lesões.
Treinar musculação não significa necessariamente hipertrofia e aumento exagerado da massa muscular. É possível, e imprescindível, elaborar treinamentos que promovam força muscular atendendo às necessidades e objetivos de cada pessoa e modalidade.
|
|
R - Existe uma grande dúvida entre as pessoas quando estão diante de alguma lesão ou dor: aplico gelo ou calor!
Sempre é bom entender o porquê de cada procedimento. De forma bem simplificada, com o calor temos a intenção de promover um relaxamento muscular, vasodilatação e aumento do metabolismo no local. Com a aplicação de gelo, a intenção é provocar vasoconstrição e diminuição do metabolismo no local.
Dessa maneira, o calor é recomendado para as tensões musculares e rigidez articular (desde que não apresentem quadro inflamatório) e em casos específicos que se queira aumentar o metabolismo local, ficando sempre a critério de um profissional experiente a recomendação. Já diante de uma torção (tornozelo, joelho, punho), ou algum trauma direto (pancada, contusão, estiramento muscular) deve-se aplicar gelo o mais rápido possível, pois a vasoconstrição irá reduzir a formação do edema (inchaço) e a diminuição do metabolismo local irá inibir a produção de substâncias nocivas para o organismo, liberadas pela lesão. Isso irá facilitar e acelerar o tempo de regeneração dos tecidos afetados pela lesão.
A aplicação de gelo deve ser feita por no mínimo vinte minutos, não sendo necessário ultrapassar trinta minutos. Quanto maior o contato entre gelo e área afetada, maior a eficiência do tratamento, assim recomenda-se gelo nas menores frações possíveis dentro de um saco plástico. Tome o cuidado para retirar todo o ar do saco plástico antes de fechá-lo, pois o ar é um excelente isolante térmico.
|
|
R - Devemos sempre alongar antes e depois de cada atividade física, pois são procedimentos com finalidades distintas.
O alongamento antes da prática esportiva tem como objetivo preparar a musculatura para alcançar as amplitudes de movimento exigidas pela atividade. É como se você estivesse dizendo a seus músculos: “olha meu caro, daqui a pouco você estará atingindo este comprimento”. No momento da atividade, grandes amplitudes são alcançadas, às vezes de maneira brusca e inesperada. Com a musculatura previamente alongada, essas amplitudes não significam mais tanto risco.
Por outro lado, o alongamento após a atividade física tem como objetivo diminuir o tônus dos músculos mais solicitados. Após qualquer atividade a musculatura fica com uma consistência mais firme (tônus muscular aumentado), devido às repetidas contrações. Esse tônus aumentado prejudica o fluxo sanguíneo no local, dificultando a chegada de nutrientes e eliminação de substâncias nocivas, além de gerar encurtamentos musculares e perda de elasticidade.
Dessa maneira, procure alongar antes da atividade visando uma preparação, como parte do aquecimento. Após a atividade, alongue visando a prevenção e uma melhor recuperação e regeneração de seu organismo.
|
|
R - As dores musculares são comuns quando se realiza uma atividade física de maior intensidade, mesmo em pessoas com bom condicionamento. Essas dores geralmente aparecem num período previsto de vinte e quatro à quarenta e oito horas.
Isso ocorre, pois, ao realizar uma atividade de maior intensidade, são exigidos níveis de contração muscular (força, resistência, velocidade) superiores aos de costume. Tais exigências provocam pequenas fissuras nas fibras musculares, o que chamamos de microlesões. São elas as responsáveis pelas dores musculares do pós-treino. As dores serão mais significativas quanto maior a intensidade do treino, ou pior o condicionamento físico da pessoa.
No entanto, as microlesões fazem parte do processo natural de adaptação. A partir delas é que o organismo irá se reorganizar (regeneração) e construir uma estrutura mais forte, neste caso um músculo apto a realizar contrações mais intensas.
Apenas fique atento se essas dores estão localizadas no corpo do músculo, se surgiram durante aquele período previsto (entre 24 e 48h após a atividade), e se diminuem de intensidade gradativamente até desaparecerem.
Evite treinos fortes nos dias em que sua musculatura estiver “reclamando”, ela pode estar ainda no período de regeneração.
Dores com características diferentes merecem maior atenção e acompanhamento médico.
|
|
R - Frequentemente associada às dores na região da coluna lombar (lombalgias), a hérnia de disco é uma de suas principais causas.
A hérnia discal é um problema que acomete o disco intervertebral. Nossa coluna é formada por vinte e cinco peças ósseas articuladas umas sobre as outras. Em cada articulação (espaço entre uma vértebra e outra) existe uma espécie de amortecedor em forma de disco (disco articular), responsável por ajustar e acomodar as vértebras durante os diversos movimentos realizados pela coluna vertebral.
Repetidos esforços e movimentos excessivos que geram sobrecarga, impõem tensões e forças compressivas em determinadas articulações da coluna, causando a degeneração do disco intervertebral. O disco, uma vez rompido, gera um processo inflamatório no local, a que se atribui grande parte do sintoma de dor. Além disso, o disco deteriorado pode comprimir uma raiz nervosa, causando dores irradiadas e perda de força.
A prevenção para esse tipo de problema consiste na execução de um programa de fortalecimento específico e cuidadoso da musculatura lombar, abdominal e de quadril, com o objetivo de se construir um complexo muscular que estabilize e coordene os movimentos da coluna vertebral. É fundamental também manter uma boa flexibilidade de membros inferiores para que os movimentos da bacia e do tronco sejam realizados com maior facilidade e liberdade.
|
|
R - É muito comum pessoas que correm sentirem dores na região do quadril ou glúteo, irradiando para a face posterior da coxa. Esse sintoma é geralmente associado a uma lesão do nervo ciático (ciatalgia). No entanto, o que ocorre muitas vezes é o que denominamos síndrome do músculo piriforme.
O piriforme é um músculo da articulação do quadril localizado em baixo (mais profundamente) do glúteo, e uma de suas funções é manter a bacia estável quando nos apoiamos em uma perna só durante a marcha e corrida, sendo dessa maneira muito solicitado a cada passo.
Ocorre que, após um treino intenso ou por fraqueza da musculatura, o piriforme pode sofrer uma contratura, referindo dor. Em outros casos essa contratura pode comprimir o nervo ciático, por estarem essas duas estruturas, músculo e nervo, em íntimo contato.
Assim, a síndrome do piriforme pode se manifestar como dor na região glútea ao pisar e apoiar-se em um pé só, bem como irradiações para a face posterior da coxa. O diagnóstico deve ser feito pelo médico para se descartar a possibilidade de hérnias discais lombares e outras lesões do complexo articular do quadril.
É importante manter a musculatura do quadril fortalecida, através de exercícios de musculação ou ginástica localizada, para se evitar a contratura do músculo piriforme e consequentemente desenvolver tal síndrome.
|
|
R - Existem vários bons motivos para se evitar, ou ao menos restringir o uso de calçados de salto alto. O uso constante de tal adorno promove alterações biomecânicas em nosso sistema musculoesquelético, as quais podem ser consideradas causas diretas de lesões.
A estrutura mais afetada com o uso desse tipo de calçado são nossos pés. O peso corporal em posição ortostática (em pé, equilibrado e pés alinhados) deve ser dividido igualmente entre pé esquerdo e direito. Assim, cada membro inferior deve receber a metade do nosso peso. O peso que chega em cada um dos pés será mais uma vez dividido igualmente entre calcanhar e ante-pé (metatarso e artelhos). Isso é o normal de acontecer quando estamos descalços ou com calçados de salto baixo.
Com salto alto, o corpo é projetado para frente, transferindo muito peso ao ante-pé, fazendo com que essa estrutura suporte a maior parte do peso corporal, e o que é pior, por um tempo prolongado. Tal situação, além de trazer problemas pelo “excesso de carga” imposta ao ante-pé, provoca um grande e grave encurtamento da musculatura e fáscia da planta dos pés, tornando essa estrutura rígida e incapaz de absorver impactos, criando um “ambiente” propício para o surgimento de lesões.
Para aquelas ocasiões em que o uso de salto alto for inevitável, aqui vai uma dica: após o expediente com salto, alongue com calma e por um tempo prolongado os músculos da panturrilha e planta dos pés, dedique-se a esses músculos, pois eles foram os maiores responsáveis por manter você no salto alto.
|
|
R - Algumas pessoas quando correm realizam a passada com muito pouco contato dos calcanhares com solo, dando a impressão de estarem chutando o chão a cada passo.
Quando corremos, a primeira estrutura a tocar o solo deve ser o calcanhar, passando pelo médio-pé (bordo externo) e ante-pé (metatarso e dedos) e um movimento parecido com o de um “mataborrão”.
No entanto para que o calcanhar seja o primeiro a tocar no solo é necessário realizar um bom movimento de dorsiflexão (movimento de aproximar, da canela, o peito do pé).
Pessoas com grande encurtamento de panturrilha têm uma diminuição significativa do movimento de dorsiflexão e, consequentemente não irão conseguir realizar um bom contato do calcanhar com o solo ao correr. Assim o peso corporal, durante a passada, fica deslocado para as estruturas anteriores do pé (médio e ante-pé), predispondo às lesões por esforços como fasciites e fratura por estresse em metatarso.
Pra se reverter esse quadro, é necessário alongar muito e incansavelmente os músculos da panturrilha, com o intuito de ganhar amplitude de movimento de dorsiflexão.
|
|
R - A Reeducação Postural Global (RPG) é um método da fisioterapia utilizado no tratamento dos desequilíbrios posturais, criado em 1980, na França, pelo fisioterapeuta Philippe E. Souchard.
A RPG atua principalmente no sistema músculo esquelético diminuindo as tensões e alongando os músculos mais tensos e encurtados.
Essas tensões e encurtamentos musculares estabelecem desequilíbrios ao corpo ou desvios posturais que identificamos como “má postura”. Esses desvios posturais podem, com o tempo, provocar dores intensas, que surgem mesmo sem ter havido um trauma ou lesão.
A Reeducação Postural Global entende que os músculos se organizam em forma de cadeias musculares. Assim, os músculos de sua panturrilha estão intimamente ligados aos posteriores da coxa, que por sua vez estão relacionados aos músculos da coluna lombar.
O método consiste em alongar e diminuir as tensões das cadeias musculares mais comprometidas, ou até mesmo de um músculo específico, através de posturas minuciosamente estudadas para que toda a cadeia muscular seja abordada, reestabelecendo, dessa maneira, o reequilíbrio postural do corpo.
|
|
R - Pilates é um método de atividade física, que recebeu o nome de seu criador: Joseph H. Pilates. O Método Pilates possui uma maneira singular de “enxergar” o exercício físico, com o propósito de promover saúde, bem estar e qualidade de vida. Propõe uma íntima integração entre corpo e mente, exigindo concentração do praticante ao realizar os exercícios. Resgata as características naturais, fisiológicas da musculatura, reestabelecendo equilíbrio, força, flexibilidade e, como consequência, movimentos mais harmônicos e facilitados.
“Desenvolver os músculos menores naturalmente ajuda a desenvolver os músculos maiores. Quando todos os seus músculos estiverem adequadamente desenvolvidos, você realizará o seu trabalho com o mínimo esforço e o máximo prazer”, disse Pilates. O importante é concentrar seus esforços para atingir o máximo de sua capacidade.
A disciplina se concentra nos músculos que são considerados a chave para a boa postura: os músculos abdominais, musculatura do quadril (glúteos) e os músculos lombares. Esses grupos musculares formam a estrutura de suporte da coluna e pelve (bacia), e que Joseph Pilates denominou de “Centro de Força” (Power House).
É um Método que realmente envolve tudo que pode ser empregado por uma pessoa que deseja se movimentar com mais energia, graciosidade e menos trauma para seu corpo.
|
|
|
|
|