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Aprenda a correr com o corpo e a mente - Geral
18/09/2016

Treinar para se tornar um bom corredor vai além do esforço físico. É fundamental estar atento, também, ao esforço mental. Muitos corredores não dão tanta importância ao treinamento de seu cérebro, mas é exatamente essa a diferença quando pensamos em resultados. Ter agilidade mental, raciocínio lógico, criatividade, autoconfiança, concentração e autoestima elevada são detalhes importantes também para um corredor.

Neste exato ponto, entra em cena a neurociência, o estudo científico do sistema nervoso humano. Através do desenvolvimento desse campo da ciência, verificou-se que uma pessoa bem treinada física e mentalmente está mais apta a conquistar os resultados desejados.

Nós corredores, em geral, exercitamos muito do pescoço para baixo, mas é preciso trabalhar a cabeça também. “O corpo é um todo integrado e as habilidades mentais e fisiológicas se influenciam mutuamente. A concentração pode ser treinada e o exercício mental ajuda a superar limitações físicas”, diz o psicólogo Emílio Takase, coordenador do Laboratório de Neurociências do Esporte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Hoje, a neurociência vem cada vez mais fazendo parte da vida de esportistas que querem ter um melhor desempenho e, nós corredores, não podemos fugir disso.

O ato de treinar significa ficar concentrado em todas as situações em que seu organismo age e reage com o intuito de ser o mais eficiente possível. Por exemplo, ao sair de uma intensidade moderada para forte, seu corpo precisa aprender e se adaptar a este novo cenário. Os movimentos dos braços acompanhando as passadas mais largas, que demanda postura “mais encaixada”, que exigem melhor sincronia da inspiração e expiração e por aí em diante.

A tendência é tornar toda essa movimentação melhor condicionada, o que permite a automatização dos impulsos nervosos necessários para que sua corrida fique mais eficiente e econômica. Se você perde o seu centro ou entra disperso em um treino ou competição, provavelmente o rendimento será prejudicado. Muitas pessoas têm dificuldades em manter a concentração durante muito tempo. Outras são mais centradas e sofrem pouca influência do meio.

Por esta razão que muitos treinadores não gostam quando corredores ouvem música durante sua sessão de treinos. A música, por exemplo, pode servir como fator de distração pelo menos no início, quando temos de nos conectar com todos os nossos movimentos e também o ambiente que nos cerca.

Imagine-se num parque movimentado. Concentrar-se significa olhar ao redor para encontrar seu espaço e desviar de obstáculos, sentir o frio, o calor, o vento, os cheiros e o próprio barulho do contato dos seus pés com o solo. O “tap, tap, tap” pode mudar de frequência se você aumenta a intensidade da corrida por exemplo. Depois de certo tempo de treinos, você consegue integrar corpo, mente e ambiente. Talvez essa seja o momento para treinar e ouvir música ao mesmo tempo. Ela pode deixar de ser uma distração e ser parte integrante dessa harmonia.


Aulus Sellmer

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